Blog das Essências
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A CRUZ DE HOJE, QUEM CARREGA?

Estamos na quaresma, quase finalzinho dela, me lembrei de um texto antigo de quase vinte anos atrás, mas tenho visto tanta gente chateada, cansada, com o tempo que estamos carregando esta cruz da pandemia que me lembre desta figura e da história que cerca este personagem e resolvi rever e reeditá-lo. Vamos lá… falando em carregar a cruz… 

Simão de Cirene, pouco ou nada ilustre, na verdade um desconhecido, que como muitos outros, estava bem ali, em meio a multidão para assistir a passagem de Jesus em sua “via Crucis” até o Gólgota, o pouco que se escreveu sobre ele nas escrituras diz apenas que era mais um, em meio à multidão de curiosos que juntos formavam um corredor por todo o percurso em que o homem a ser crucificado passava. 

Mais nada! Este Simão nascido em Cirene pode-se dizer que o foi para Jesus, o homem certo, na hora certa. Mas para si mesmo talvez não se pode dizer o mesmo.

Simão, não era apóstolo, nem ao menos frequentava as reuniões secretas para discutir a nova “ordem religiosa”. Nada, nada! Pouco se sabe deste “homem comum” que teve um papel tão importante na história do calvário. 

Um simples camponês, talvez agricultor, que estava de passagem pela cidade, com os dois filhos, e que junto com tantos outros se espremia em uma das ruelas junto ao cordão de pessoas que nelas formavam o corredor humano para ver o Rei dos Reis passar rumo à crucificação. 

Apenas estava lá em meio ao povo ávido para ver algum tipo de acontecimento bombástico como a crucificação de um ser que diziam abalaria as estruturas do império de Roma tal seu poder na terra se vivo continuasse.

     Só por isso coube-lhe ajudar a carregar a cruz de Jesus, quando este estava em situação tão alarmante de dor, sofrimento e cansaço que o centurião responsável achou por bem, escolher alguém na multidão de curiosos um que pudesse carregar a cruz por um trecho do caminho enquanto o condenado, digamos, tomava um fôlego.

Lá estava ele, um entre tantos, apontado quase sem sequer para assumir a cruz do outro por um tempo. Afinal naquela altura dos acontecimentos com tantos ferimentos infligidos ao condenado e com as quedas já sofridas no trajeto o centurião responsável para acompanhá-lo, temeu que o nazareno não chegasse com vida até onde deveria. Com medo que isto pudesse significar sua própria crucificação, rapidamente chamou alguém para assumir o posto, para ceder suas costas, para carregar a cruz. 

Na verdade contei um pouco desta história, para fazer pensar sobre uma  coisa  importante da vida, que nem sempre nos damos conta quantos Simão’s já estiveram ao nosso lado nos dando ajuda e nem notamos?

  Quantas pessoas ‘ao acaso’ estavam lá para ajudar em pequenas coisas e nas pequenas causas… que nem nos damos conta na hora, mas que se colocaram no papel de Simão – e desta vez sem a voz de comando de um centurião responsável, simplesmente um outro ser humano disposto e disponível a prestar auxilio a outro que carrega mais peso que suas costas parecem aguentar? 

    Em tempos tão difíceis como este de COVID19,  talvez tenhamos estado com muitos vizinhos solidários, entregadores de pequenos mercadinhos, padarias, quitandas que nos auxiliaram a ficar em casa, cuidando de nossa saúde mais frágil, eles foram Simão’s para nós, e nós podemos ser para alguém? Quantas vezes você já pensou em ser Simão para alguém que você vê precisando de ajuda?  

O que vale observar pela vida é o número do Simão’s que estão por aí bem ao nosso lado, e que muito provavelmente também podemos ser esta mão amiga, este olhar carinhoso, o sorriso ‘luminoso’ mesmo por trás das máscaras nesta longa pandemia que assola todo o planeta. Podemos pensar que nestes tempos de dor, de luto, exercer este papel, seja tão somente dar o exemplo, ficando em casa, usando máscara, ou mesmo não alimentando irracionalidades. 

Mesmo cansados, é preciso acatar, escolher pensar sobre o que a ciência e a experiência nos dizem claramente, o distanciamento social, o uso de máscara, o ato simples de lavar as mãos ou usar álcool gel, são os grandes aliados e dar o exemplo é reforçar a possibilidade de preservar vidas.    

2020 – O ANO DA MARMOTA!

Pois é, quem assistiu o filme “O dia da Marmota” pode dizer que viu este filme novamente, e durante todo este ano. Se ainda não assistiu – assista!!

Vamos lá, o que é necessário lembrar deste filme, que por sinal gostei muito; é o que fiz com todos os meus dias enquanto a Marmota não saia da sua toca? Bem a ideia é que cada um pense nisto, o que você fez neste ano de reclusão?

Além desta pergunta, outra se faz presente também, o que é que cada um de nós fará até que chegue a sua vez para se encontrar com a Marmota. 

Groundhog muzzle looking out of mink

Afinal, cada um com sua idade terá seu lugar na fila, talvez demore mais para uns do que para outros, tipo:- “pegue sua senha e aguarde na fila”, na mesma interminável fila de quantos milhões de brasileiros que estarão nela aguardando a vez.

Fazendo um exame de consciência sobre como vivemos este ano todo em que a Marmota estava sendo elaborada pelos cientistas do mundo todo; para facilitar é que vale parar e a pensar, no que ainda podemos fazer. Pois vem aí a agonizante espera de sabe-se lá quanto tempo amargaremos na fila da ‘salvadora vacina’, que carinhosamente chamo de Marmota.

O que afinal aprendemos ficando dentro de casa – isolados fisicamente, será melhoramos o isolamento afetivo e emocional que permeava o dia a dia de cada qual? Aparentemente muita gente reclamava que a falta de tempo para ficar com os amados era sempre pouco, tempo diminuto para expressar amor. Mas… na pandemia… muitos puderam ficar juntinhos.

Como foi a expressão deste amor todo que estava represado durante os tempos corridos e sem tempo de outrora? Será que fizemos uso desta afetividade? Expressando tudo que estava por dizer pela falta de tempo?

Quantas vezes tentamos fazer de novo a mesma ‘lição como no filme’ até fazer direitinho, aquilo no que não era tão bom ou não sabia mesmo fazer. Ah… de novo…  se você não assistiu é uma boa pedida. Rimos e rimos sobre a mesmice do dia, que se repete dia a dia, mas a lição passada pelo filme é podemos aprender a ser um novo ser quando resolvemos fazer diferente, ser diferente.  

Ou até mesmo fazer a diferença a cada manhã, sendo assim as coisas podem mudar para melhor enquanto aguardamos ansiosos a saída da Marmota da toca, ou enquanto não chega a nossa vez na fila da vacina. 

 À todos meus votos de muita saúde neste Novo Ano que esta iniciando.  

Para lá de Difícil

É assim que tenho sentido a situação da pandemia. Antes fosse só um resfriado, aquele que passa em um dia, ou nos deixa na cama, por um único final de semana, e vai embora.

Pois é, não é tão simples assim! Simplesmente chegou e pelo que parece para ficar por um tempo que não conseguimos dizer exatamente quando será o final.

O que sabemos com certeza é que o tal Corona Vírus esta por aí fazendo um estrago danado. Quem dá mole para o vírus, acaba no mínimo encrencado. Não temos remédios eficazes para uma cura. Muitos são tentados quando se esta numa cama de um dos hospitais. 

Só o que os médicos podem fazer é apenas testarem todos os medicamentos que existem ou estejam ao alcancem das mãos e em altas doses. Mesmo assim o risco do paciente é sempre grande.

O que resolve ficar em casa de quarentena de molho, no isolado em casa. A explicação da OMS (organização mundial de saúde), e de nossos médicos na verdade não ficamos em casa só para “fugir” do vírus, mas para que nem todo mundo fique doente e corra para os hospitais ao mesmo tempo, lotando as UTI’s que nunca terão leitos suficientes para toda população. 

Estamos todos em risco, e talvez todos peguemos o CONVID19 mais dia, menos dia, é só olharmos o número crescente de pessoas internadas e correndo risco.

Muitos estão saindo das internações sejam elas longas ou curtas, mas quando recebem alta se sentem bem pela saúde recuperada e felizes por estarem finalmente entre os seus em sua própria casa outra vez.

A nós cabe cuidar daquilo que esta em nossas mãos, o que esta ao nosso alcance. Primeiro fazemos o necessário, depois disso estaremos fazendo o possível e quando menos esperamos estaremos fazendo o impossível; São Francisco dizia isto para seus seguidores quando estavamnervosos e desacreditando na previdência divina.

Talvez a paciência seja este salto no escuro, o salto da fé que estamos precisando dar neste momento, para enfrentar o pavor da doença e chatice de ficar dias e mais dias em isolamento social.

Na certa são tempos difíceis!

Na certa precisamos aprender algo com tudo isso. “Para o mundo que eu quero descer”; esquece já passamos do ponto. Só se pode descer quanto tudo isso acabar.
Na certa precisamos ter algo assimilar depois de tanto isolamento juntos, outros separamos, outros em paz, e muitos envolvidos em pequenas / grandes guerras particulares.
Na certa precisamos entender mais profundamente no que nos metemos momentos antes desta história toda começar. Tão esquecidos do que realmente é importante no dia a dia.
Na certa precisamos rever todas as relações com o todo. Começando por nós mesmos, caso esteja difícil de fazer companhia a si mesmo, talvez seja porque esta faltando mais de você em você mesmo, o que certamente deixa tudo bem pior para encarar o #fiqueemcasa. Afinal, o #fiquecomvocê pode ser devastador.
Na certa precisamos evoluir em alguma coisa ou coisas. Para tal é preciso repensar muito daquilo que somos. O que nem sempre é fácil. É mais ou menos como limpar armários. Se não olhar atentamente para cada peça de roupa e pensar o quanto ela ainda o representa, não poderá tirá-la de lá.
Na certa precisamos filtrar o que escolher daqui para frente do tudo que somos, e isso é terrível; cada escolha vem com um acompanhamento que não se pode dispensar.
 Na certa precisamos usufruir de uma forma diferente a liberdade quando esta “joia estiver novamente disponível”, num futuro breve. Refazer os caminhos tão simples como o poder que nos é garantido pela vida simples, aquele de ir e vir, sem restrições.
Na certa precisamos viver com mais consciência do todo, começando por si mesmo, passando por cada um dos outros que estão próximos, para tal precisamos de reavivar a empatia, a tanto tempo esquecida, quanto mais empatia
usamos, melhores podemos ser.
Na certa precisamos resgatar aqui / agora algumas coisas importantes que com o passar “dos tempos ou das vidas” fomos deixando pelo caminho.
Na certa precisamos repensar quem e o que vamos nos tornar quando sairmos novamente para a convivência diária com o planeta, com o próximo e consigo mesmo. Tempo para pensar estamos todos tendo.
Na certa precisamos acreditar que menos podemos sair deste distanciamento social mais conscientes, e quem sabe até mesmo mais felizes

#HASHTAG #FiqueEmCasa

#fiqueemcasa

Tudo começou assim, um simples #hashtag # nos colocou em quarentena, mexeu com um dos mais poderosos ou o maior dos nossos medos. O medo da contaminação nos colocou dentro de casa e mais perto de nós mesmos. O que por vezes nos aterroriza ainda mais. Talvez seja daí as escapadelas que a todo o momento acabamos por fazer ou quase…

Tem um dito popular português que diz:- não há bem que sempre dure, nem há mal que nunca acabe! Desta forma podemos colocar nossa fé em outro #hashtag# este:- #tudopassa pode confiar.

Existe uma carta no tarô chamada Roda da Fortuna – que sempre esta girando, a foto mostra quatro pessoas, uma em cada posição. Um deles está no topo o que é bom. Porém também significa que assim que a Roda girar será a sua queda; pois é a próxima posição a de quem esta começando a descer enquanto a roda gira; outra figura esta na parte mais baixa, da mesma roda, para muitos é o fundo do poço. Outra visão é que ‘este ser’ esta prestes a começar a subida até ao topo. Outro personagem retratado na roda, esta chegando a este mesmo topo, a terceira posição na Roda de Fortuna. Por fim o quarto lugar aquele tão almejado por todos.

Bem esta carta de tarô tem outras implicações, as do tempo como as figuras das Moiras que são “as donas do tempo”. Como sendo em parte de uma lei desconhecida, invisível até insoldável que pode determinar rápidas subidas e quedas vertiginosas que mudam o rumo de nossas vidas de uma hora para outra.

Com isso e por tudo isso pensar neste isolamento social que estamos fazendo já há alguns “bons dias” e que isso simplesmente fez a roda girar, e com isso desestruturar tudo e todos, num só chacoalham, bagunçou a galera da geral. Mesmo assim estamos conseguindo fazer nossa parte uns mais outros nem tanto. Mas sem dúvida existe uma consciência geral do que é necessário até mesmo dos mais rebeldes.

Agora mais que nunca nesta Páscoa precisamos acreditar que renascer é possível e quem sabe de forma diferente, só sobreviver será pouco, pois, precisaremos fazer mais que isso. Muitos se deram as mãos buscaram doações, formaram grupos de apoio em todos os cantos, os bons vizinhos que se tornaram ainda mais solidários, e assim caminhamos mais conscientes para fora da roda de fogo. Aos que acreditaram nos esforços, aqueles que acreditam que o esforço de cada um conta.

Quem esta se desdobrando em turnos sem fim, médicas mães que deixaram a casa para não por a família em risco e assim cuidar dos filhos e das famílias que estavam sob seus cuidados. Dedicação e mais dedicação de todos que continuaram até mesmo sem terem 100% dos aparatos necessários para sua própria proteção.  Todos estavam lá contribuindo cada um a seu modo fazendo a sua parte, ficando em casa, cuidando de si mesmo e assim cuidando de tantos outros.

Esta chacoalhada acordou muitos adormecidos, muito dos fortes que estavam sem muita vontade de nada, e colocou todos ou muitos para olhar os outros de outra forma. Solidariamente.